curiosidades turísticas
Uma coleção de fatos que mostram a força da área do turismo

 ano 10  -  n.19  -   jan./jun. 2012 

por Daniel Perdigão

Daniel Perdigão
Turistas visitam a Mudriça Ben Yussef, em Marrakech, Marrocos

Especialmente desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o turismo teve um crescimento contínuo e uma diversificação notável, a ponto de se tornar um dos mais expressivos setores econômicos mundiais. O turismo moderno está intimamente ligado ao desenvolvimento. Por englobar um número crescente de novos destinos, o turismo tornou-se um fator-chave para o progresso social e econômico. A difusão do turismo, especialmente nos países desenvolvidos, gerou emprego e renda no próprio turismo, mas também em diversos setores relacionados, como a construção, a agricultura e as telecomunicações. Vamos fazer um tour pelos grandiosos números do turismo?

Hoje, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), ligada à ONU, o volume de negócios do turismo iguala ou até supera o das exportações de petróleo, de produtos alimentícios ou de automóveis. O turismo se tornou um dos principais setores na dinâmica comercial internacional, representando uma das principais fontes de rendimento para muitos países em desenvolvimento. A OMT espera que, neste ano de 2012, o total de viagens internacionais alcance um bilhão pela primeira vez na história. Em 2011, outro recorde foi batido: as receitas internacionais do turismo superaram pela primeira vez o trilhão de dólares. E isso vem ocorrendo a despeito da crise econômica do mundo desenvolvido.

Utilizando apenas os dados de países que os divulgam, a OMT estimou que o turismo contribui com 5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, ou seja, 5% de toda a renda e a riqueza produzidas no mundo em um ano se devem ao turismo. A contribuição do turismo para o emprego tende a ser um pouco maior, sendo estimada em 6% ou 7% do total de empregos no mundo, consideradas as gerações direta e indireta de vagas. Para países de economia desenvolvida e diversificada, a contribuição do turismo para o PIB varia de aproximadamente 2% para os países onde o turismo é um setor relativamente pequeno, até mais de 10% nos países onde o turismo é um pilar importante da economia. Para pequenas ilhas e certos países em desenvolvimento, o peso do turismo pode ser ainda maior, representando até 25% da movimentação econômica de alguns deles.

Se olharmos o turismo internacional como um produto de exportação – o que deve ser feito –, os números são ainda mais impressionantes. Calcula a OMT que a receita de exportação global gerada pelo turismo transnacional (ou receptivo), incluindo o transporte de passageiros, superou a média diária de 3,4 bilhões de dólares em 2011. As exportações de turismo (ou seja, a recepção de turistas estrangeiros em um certo país) respondem por até 30% das exportações mundiais de serviços comerciais e de 6% do total das exportações em geral. Globalmente, como uma categoria de exportação, o turismo ocupa a quarta posição, perdendo em importância somente para combustíveis, produtos químicos e alimentos. Para muitos países em desenvolvimento, o turismo é uma das principais fontes de renda em divisas estrangeiras e o gênero de exportação número um, criando os tão necessários empregos e oportunidades de desenvolvimento.

Em 2011, segundo a OMT, as viagens de lazer representaram pouco mais de metade de todas as chegadas de turistas internacionais no mundo: 51%. Cerca de 15% informaram estar viajando por razões profissionais e outros 27% viajaram por outros motivos, como visita a amigos e parentes, razões religiosas, tratamento de saúde etc. Os restantes 7% não informaram a razão da viagem.

Ao classificar os principais destinos do mundo para o turismo internacional, é sempre preferível levar mais de um indicador em consideração. Obviamente, há diferenças marcantes entre os diversos países em termos do tipo de turistas que atraem, seu tempo médio de permanência e a respectiva despesa por viagem e por noite. Assim, pelo critério de número de turistas internacionais em 2011, o ranking da OMT tem como seus dez primeiros colocados, respectivamente, a França, os Estados Unidos, a China, a Espanha, a Itália, a Turquia, o Reino Unido, a Alemanha, a Malásia e o México. Se o critério for os dez territórios que mais receberam dinheiro dos turistas em 2011, os dez primeiros são, respectivamente, Estados Unidos, Espanha, França, China, Itália, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Macau e Hong Kong. Note que Turquia, Malásia e México, três países em desenvolvimento, têm grande número de turistas, mas não se encontram entre os dez territórios que mais recebem dinheiro de turistas. Estes três países foram substituídos pelos três últimos da lista de receitas, que são considerados desenvolvidos. As diferenças nas listas não refletem apenas o desempenho relativo, mas também (em grande medida) flutuações das taxas de câmbio das moedas nacionais frente ao dólar. Ou seja, economias mais baratas acabam recebendo menos dinheiro por turista que recebe.

Outro ranqueamento importante da OMT é o que aponta quais são os países que mais enviam nacionais ao exterior. Nessa lista, quando considerados os gastos totais dos turistas no estrangeiro, os dez maiores de 2011 foram, respectivamente: Alemanha, Estados Unidos, China, Reino Unido, França, Canadá, Rússia, Itália, Japão e Austrália. Obviamente, seria bastante conveniente colocarmos tal resultado como uma proporção ao número de habitantes do país. Assim, fica claro que os alemães viajam muito mais do que os estadunidenses. Igualmente, surpreende que canadenses e australianos viajem tanto em comparação com nacionais de outros países desenvolvidos.

E quanto ao Brasil? Nosso país tem enviado cada vez mais nacionais ao exterior: em 2011, o gasto dos brasileiros no estrangeiro foi de 21 bilhões de dólares, ou pouco mais de 2% do total mundial. Isto colocou o Brasil na 12ª posição mundial. É pouco, sem dúvida, especialmente quando vemos Cingapura, que possui pouco mais de 5 milhões de habitantes (o Brasil tem 193 milhões), ocupando a 13ª posição, pouco atrás do Brasil. Mas a situação é mais grave quando consideramos o que o número de estrangeiros que ingressam no país é bem inferior. O Brasil recebeu menos turistas em 2011 que a Argentina: foram 5.433 mil turistas contra 5.663 mil do país vizinho. Certos argumentos para o baixo afluxo de turistas no país não são respaldados pelos números de outros países: a África do Sul, a despeito de estar distante dos países desenvolvidos e ter, também altos índices de pobreza e de violência urbana, recebeu mais de 8 milhões de turistas estrangeiros em 2011. Na Índia, foram mais de 6 milhões de chegadas. Até o Vietnã supera o Brasil, apesar de ser um país tão pequeno e pouco estruturado para receber turistas.

É por essa razão que é extremamente importante que a publicidade sobre os destinos turísticos, como os brasileiros, se apoie em argumentos técnicos, especialmente quando eles existem e são superiores aos de destinos mais tradicionais. Um exemplo é a concorrência entre Cancún, na costa caribenha do México, e Benidorm, na costa mediterrânica da Espanha. Enquanto o primeiro destino oferece temperatura da água em 25°C, o segundo tem a água com temperatura média de 15°C. Dias ensolarados ou parcialmente nublados são 310 por ano em Cancún, e apenas 220 em Benidorm. A transparência da água passa de 15 m na praia mexicana, enquanto na espanhola não ultrapassa os 2 m. A areia é bem mais fina e clara em Cancún. O número de banhistas também é mais esparso em Cancún: cada um dispõe de 10 m² de areia na praia yucateca, enquanto na praia valenciana cada turista só dispõe de 5,7 m² para si. É dessa forma que países em desenvolvimento, como o Brasil, podem atrair mais turistas e fazer crescer o emprego e a renda. Os grandes eventos esportivos internacionais são uma excelente oportunidade para fazer do Brasil um grande destino turístico.


Cultura Secular

Revista de divulgação científica e cultural do Secular Educacional.

Comissão editorial
Daniel Perdigão Nass
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Jornalista responsável
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ISSN 2446-4759