tocantins: história e geografia
Uma pequena introdução ao mais novo Estado brasileiro

 ano 11  -  n.22  -   jul./dez. 2013 

por Daniel Perdigão

Daniel Perdigão
Monumento aos pioneiros, Praça dos Girassóis, em Palmas

Tocantins. A última unidade da federação a ser desenhada no mapa. Se, há 25 anos, a região era quase isolada, muito mudou. Mas o Tocantins tem mais história para contar, bem mais que 25 anos, completados neste último 5 de outubro, juntamente com a atual Constituição Federal. Uma história que ilustra bem o tipo de desenvolvimento mais comum do interior do Brasil.

A ocupação e o desenvolvimento socioeconômico do antigo norte goiano se deveram a variadas razões, cada uma definida e limitada no tempo. Inicialmente, a mineração do ouro de aluvião incentivou uma corrente migratória na região central e sudeste do atual território tocantinense, mais intensamente entre 1730 e 1770. Com a redução brutal da produção de ouro e a intensificação da cobrança de impostos por parte da Coroa, as elites locais entenderam ser conveniente promover a autonomia da região, visando, também, à abertura de novos espaços políticos. Embora não tivessem obtido a criação de uma nova província desmembrada de Goiás, estas elites conseguiram a criação de uma comarca, com sede na atual cidade de Paranã, no sul do atual Tocantins, em 1815. Um movimento separatista perdurou por pouco mais de um ano, de 1821 a 1823, criando a província da Palma.

A região permaneceu quase totalmente dominada pelos indígenas no período de 1770 até 1930, durante o qual a economia se baseava quase que exclusivamente na pecuária, alguma agricultura e na navegação pelos rios Araguaia e Tocantins, e dominada pelo mesmo coronelismo que permeava toda a então província de Goiás. Ao longo das décadas de 1930, 1940 e 1950, a região oeste do atual território tocantinense foi ocupado com o objetivo de explorar o recém-descoberto cristal de rocha (quartzo) na região. Novo fluxo migratório foi verificado a partir de 1957, com a construção da rodovia Belém-Brasília. Diversos núcleos urbanos se estabeleceram às margens da atual rodovia BR-153, também conhecida como Transbrasiliana.

Um sentimento de abandono político e social permeava a região norte do estado de Goiás, e a euforia da redemocratização do país, em 1946, logo se resfriaria com a constatação de que a região segue desassistida e muito distante da capital do estado, recém-transferida para Goiânia. Alguns movimentos pontuais de busca por emancipação política começam a aparecer, especialmente na tradicional cidade de Porto Nacional, no centro do atual território tocantinense, liderados por elites culturais da região. Embora tais movimentos tenham sido sufocados durante o regime militar, o deputado federal José Wilson Siqueira Campos, cuja carreira política se iniciou na cidade de Colinas de Goiás, na região centro-norte do atual Tocantins, liderou, durante as décadas de 1970 e 1980, um movimento pró-emancipação no Congresso Nacional. A criação do estado de Mato Grosso do Sul, em 1977, e um rápido desenvolvimento da região sul do estado de Goiás, em detrimento do norte, favorecem um movimento interno para a divisão, incentivado na população pelas lideranças políticas locais.

Em 5 de outubro de 1988, com a promulgação da Constituição Federal, é criado o estado do Tocantins. No dia 1º de janeiro de 1989, é instalada sua capital provisória na então cidade de Miracema do Norte, topônimo mudado no mesmo dia para Miracema do Tocantins. A referida cidade fica no centro do estado, a aproximadamente 80 quilômetros de distância a norte da capital definitiva, a cidade projetada de Palmas, instalada na mesma data, mas no ano de 1990. O sentimento de abandono transformou-se em perspectivas de prosperidade econômica. A euforia inicial, no entanto, em nada alterou a precária situação da maioria das pessoas, já que se resumiu à implantação de incipientes propostas de políticas públicas.

O Tocantins, estado da região Norte e, portanto, pertencente integralmente à região da Amazônia Legal, possui uma extensão territorial de 277.621 km² (11% maior que São Paulo). Limita-se a sul com Goiás, a sudeste com Mato Grosso, a noroeste com o Pará, a nordeste com o Maranhão, a leste com o Piauí e a sudeste com a Bahia. Tem uma população de 1.383.453 habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2010. Tal população cresceu acima da média nacional durante as décadas de 1990 e 2000, graças a correntes migratórias regionais.

O clima do Tocantins se define por uma estação seca e uma chuvosa, enquanto a temperatura mantém-se alta, pouco variando ao longo do ano. A duração e a intensidade da estação seca aumentam do norte ao sul, sendo que a região de Gurupi e Paranã, a sul, por exemplo, fica em média quatro meses sem chuvas por ano. O Bico do Papagaio, no extremo norte, por outro lado, não possui mês sem chuva.

O estado, atravessado ao meio pelo rio Tocantins e em sua fronteira oeste pelo rio Araguaia, tem na pecuária a principal atividade produtiva. A cultura da soja é crescente e vem para se juntar a outras como a do arroz, da mandioca, da cana-de-açúcar e do milho. A exploração mineral também tem crescido. Obra importante vem sendo implantada no território tocantinense nos últimos anos: a ferrovia Norte-Sul, que corre paralela à rodovia Belém-Brasília, a BR-153, e permite a ligação ferroviária ao porto de Itaqui, em São Luís (MA). Outras obras de transporte que facilitarão o escoamento da produção agropecuária tocantinense são as projetadas ferrovia Oeste-Leste, ligando a cidade de Figueirópolis, no sul tocantinense, ao porto de Ilhéus, na Bahia, e a duplicação da BR-153, a rodovia Belém-Brasília. É confiando na sua vocação que o Estado pretende crescer nos próximos anos, e justificar, assim, a sua criação, ocorrida há exatos 25 anos.


Cultura Secular

Revista de divulgação científica e cultural do Secular Educacional.

Comissão editorial
Daniel Perdigão Nass
Michelle Zampieri Ipolito

Jornalista responsável
Daniel Perdigão Nass (MTb/SP 37654)

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ISSN 2446-4759