rir é o melhor remédio
Para melhorar o ânimo de pacientes, sorrir pode ser melhor que pílulas

 ano 14  -  n.27  -   jan./jun. 2016 

por Amanda Cindy da Silva e Daniel Perdigão

sxc.hu
Rir faz bem e é de graça!

Você é do tipo que pensa que o hospital é um lugar sério, em que não se pode rir e nem se pode brincar? Se você se identificou, talvez não saiba o que uma simples gargalhada pode fazer pela sua saúde. Não é piada, não: rir faz bem e é de graça!

O riso é utilizado como forma de expressão, comunicação e relação social entre as pessoas. Você já sentiu isso ao estar em uma rodinha de amigos e a risada ser o ponto alto da conversa. Além disso, o riso proporciona vários efeitos biológicos benéficos, que contribuem para a melhora da saúde e qualidade de vida, como o aumento da produção de endorfinas, que são os hormônios responsáveis pela diminuição da ansiedade e da dor, e o aumento da produção de células de defesa do organismo, chamado sistema autoimune.

São tantos os benefícios que, nos últimos anos, várias terapias complementares vêm usando o riso como forma de promover o bem-estar e a recuperação dos pacientes. Infelizmente, a maior parte das pessoas internadas passa por procedimentos invasivos e dolorosos. Juntando-se isso à fragilidade física, emocional e psicológica dessa situação, o paciente acaba tendo uma diminuição da imunidade biológica e uma piora de sua qualidade de vida e do seu prognóstico.

Mas você pode estar se perguntando: se o hospital é tão sisudo, como surgiu a ideia de levar o riso ao ambiente hospitalar? Tudo começou no ano de 1986, quando o Hospital de Bebês e Crianças de Nova Iorque convidou Michael Christensen, diretor do Big Apple Circus, para uma apresentação para crianças que se recuperavam de cirurgias no coração. Nesse espetáculo, Christensen, palhaço do tipo vagabundo, de pernas peludas, simulando ser um médico, dizia muito do que as crianças queriam ouvir, como a recomendação de que poderiam comer o que quisessem, desde que fosse pipoca, chocolate e refrigerante. As crianças sorriam e se surpreendiam. Aos poucos, os pequenos já não se sentiam em um hospital, mas em um circo.

O resultado dessa visita surpreendeu a todos, pois as crianças que se encontravam deprimidas e desmotivadas se alegravam e brincavam, participando das brincadeiras propostas por seus novos “médicos de plantão”. Diante de resultados tão positivos, o hospital decidiu tornar a atividade permanente. Assim nasceu a Clown Care Unit.

E como essa ideia chegou ao Brasil? Em 1988, Wellington Nogueira, ator brasileiro que na ocasião morava em Nova Iorque, passou a integrar a trupe da Clown Care Unit. Em 1991, Wellington retornou ao Brasil para visitar o pai hospitalizado. Foi quando percebeu que não havia nestas terras um grupo como aquele do qual fazia parte nos Estados Unidos. Depois de fazer uma ação piloto, tão bem recebida pelos pacientes como as da Clown Care Unit, Wellington formou um grupo similar, chamado Doutores da Alegria, que começou a atuar em setembro do mesmo ano, no Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em São Paulo.

Tão contagiante quanto o riso foi a proposta de formação de novas trupes de palhaços atuando em hospitais de todo o Brasil, ampliando o olhar da atenção humanizada em saúde. O objetivo principal é diminuir o impacto psicológico de experiências traumáticas que ocorrem durante o processo de internação, principalmente em crianças.

Um dos grupos formados por inspiração dos Doutores da Alegria é o Alpliruliru, vinculado à Universidade de Brasília. Nesse grupo, estudantes de cursos diversos da área de saúde atuam de forma voluntária, oferecendo um momento de diversão e alegria, colocando sorrisos nos rostinhos de crianças internadas no Hospital Regional de Ceilândia, cidade satélite a 30 km do centro de Brasília. A recompensa desses jovens palhaços é ouvir gargalhadas, brincar e aliviar a dor do seu público encantador. Não são só os pacientes: cuidadores, familiares e os profissionais de saúde também se divertem com as ações do grupo.

Teatro, piadas, histórias e, é claro, muitas situações de improviso divertem os pequenos e exigentes espectadores. é importante ressaltar a importância da participação e da interação dos pacientes em todo o processo, pois, uma vez envolvidos na brincadeira, conseguem sair da perspectiva da hospitalização, o que melhora seu quadro emocional, físico e psíquico.

Diante de tantas evidências, a plateia ainda tem dúvidas? Sim, rir é o melhor remédio, e é de graça. E melhor do que dar risada é poder fazer o outro sorrir e melhorar o seu ânimo e a sua qualidade de vida. Vamos nessa?


Cultura Secular

Revista de divulgação científica e cultural do grupo de pesquisa “Investigações Transdisciplinares em Educação para a Ciência, Saúde e Ambiente”.

Comissão editorial
Daniel Perdigão-Nass
Michelle Zampieri Ipolito
Glauco Lini Perpétuo

Jornalista responsável
Daniel Perdigão-Nass (MTPS 37654/SP)

Imprenta
Brasília, DF, Brasil

ISSN 2446-4759